TETRALOGIA ELEMENTAR

Quatro livros. Quatro elementos. Quatro formas de dizer o que não coube na linguagem.

Esta tetralogia percorre as margens do corpo, da memória, da perda e do invisível. Cada obra carrega um gesto ético e simbólico próprio, condensado num elemento primordial. Aqui, você não encontrará sinopses: encontrará sinais. Os nomes virão depois. Agora, sinta a queimada.

FOGO

O grito que funda o corpo no mundo.

Este é o gesto do fogo: a transmutação da carne em verbo. Um corpo que se recusa a ser arquivo e explode em febre para reivindicar seu próprio sagrado, mesmo que para isso precise queimar a memória dos homens.

"Eles pensaram que eu era um corpo. Mal sabiam: eu era uma fogueira esperando o primeiro fósforo."

ÁGUA

A ausência que devora o nome.

Este é o gesto da água: a dissolução do ser em burocracia. Um mergulho no silêncio dos arquivos, onde a identidade se liquefaz em protocolos e a ausência se torna a única prova de existência. O afogamento da memória.

"Procuraram meu nome em todas as gavetas. Mas eu já não era nome. Era mancha d'água no fundo da última folha."

TERRA

A escuta que brota do chão.

Este é o gesto da terra: a escuta radical do que foi soterrado. Uma arqueologia das vozes que dormem sob o peso do tempo. O corpo se torna raiz e aprende a ouvir o sussurro dos ossos, o coro dos esquecidos.

"Para ouvir, precisei primeiro virar pó. Ajoelhar. E encostar meu ouvido na cicatriz da terra."

AR

A unção que transfigura a matéria.

Este é o gesto do ar: a elevação final. O corpo, depois de queimado, diluído e enterrado, é finalmente ungido. O azeite não limpa, ele consagra a ferida. A matéria se torna rarefeita, etérea. É o sopro que retorna, não como palavra, mas como perfume.

"O fim de tudo não foi cinza. Foi um cheiro de azeite quente no ar. Uma promessa."

Patrick Lima

Desapareci para escrever com fogo. Com silêncio. Com terra molhada. E com cheiro de azeite quente. Agora retorno, não com livros, mas com uma mitologia.

Dossiê da Tetralogia

Uma apresentação completa da arquitetura simbólica do projeto, sinopses e declaração autoral.

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“Estes livros não foram feitos para o mercado. Mas estão prontos para transformá-lo.”

Contato para propostas:

email.ficticio.patricklima@email.com

Silêncio e Espiral

Um projeto paralelo de contos e fragmentos. Outras vozes, a mesma busca.

Explorar os Contos

"Se a tetralogia é o grito, a espiral é o sussurro que fica."

⏳ Linha do Tempo Criativa (2019–2025)

Criação da Tetralogia Elementar – Fragmentos do Processo. Esta seção simula o percurso criativo subterrâneo de quatro romances simultâneos. Nenhum título é revelado. Apenas os rastros, os elementos e os gestos que guiaram a travessia.

🜂 2019 – O Começo da Fissura

  • — Um caderno vermelho começa a ser preenchido com imagens febris.
  • — Primeiros esboços de uma narrativa fragmentada sobre fé e grito.
  • — A obsessão por um objeto metálico (moeda? relicário? espólio?) toma o centro do enredo.
  • — Surge a ideia de construir um romance inteiro a partir de uma epifania popular.
  • — Paralelamente, aparecem desenhos de arquivos, selos e cartas não enviadas — outra linha narrativa começa a emergir, quase sem querer.

🜄 2020 – Bifurcação Subterrânea

  • — Começam rascunhos sobre um homem cercado por papéis, silêncio e podridão.
  • — A escrita é contaminada por documentos falsos, carimbos vencidos e linguagem jurídica deteriorada.
  • — Outra frente avança: vozes femininas sussurradas, que cuidam de algo que ninguém mais quer lembrar.
  • — Uma terceira voz surge, observadora, quase sem corpo, apenas um cheiro persistente.
  • — A intuição de que esses fragmentos não são livros separados — mas faces de uma mesma matéria — se torna inevitável.
  • — Início de um dossiê paralelo sobre o papel simbólico dos quatro elementos.

🜃 2021 – Estrutura da Trama Invisível

  • — Cada gesto narrativo começa a girar em torno de um símbolo:
  • • o grito,
  • • o envelope,
  • • a ficha,
  • • o cheiro.
  • — O que era um livro se torna quatro. Não por vaidade, mas por impossibilidade de caber num só corpo.
  • — Nascem os títulos provisórios internos, codificados pelos elementos.
  • — Reescritas sucessivas de cada núcleo narrativo revelam que eles se espelham, se contradizem, se alimentam.
  • — Criado um arquivo digital codificado com registros das contaminações entre os livros (símbolos repetidos, cenas que se espelham, gestos que mudam de significado).

🜁 2022 – Escrita Alquímica e Risco de Colapso

  • — Múltiplos capítulos são descartados por serem "bonitos demais".
  • — Uma voz mais rarefeita começa a guiar os trechos escritos de madrugada.
  • — Introdução da primeira personagem que não fala — apenas intui, cozinha, silencia.
  • — Paralisações cíclicas por excesso de densidade simbólica: a linguagem ameaça se fechar sobre si.
  • — Criado o primeiro "Vocabulário Interno" para não se perder nos próprios signos.
  • — Diálogos entre os livros aumentam: uma moeda aparece onde não devia. Um envelope é queimado por engano. Uma menina sonha com uma ficha que nunca existiu.

🜂 2023 – Curadoria Simbólica e Costura Final

  • — Decidido que os quatro livros não terão o mesmo tom:
  • • um grita,
  • • outro sussurra,
  • • um é arquivo,
  • • outro é cheiro.
  • — Revisão exaustiva dos personagens para garantir que nenhum deles seja metáfora — todos precisam existir como carne.
  • — O livro do "grito" ganha corpo. O do "arquivo" é levado ao osso.
  • — O livro do "cuidado" passa a ser escrito em ritmo respiratório.
  • — O do "cheiro" quase não tem mais voz.
  • — Estrutura dos capítulos é alinhada: todos terão um desequilíbrio central.

🜄 2024 – Consolidação do Sistema

  • — Criada a Tabela Alquímica da Tetralogia. Cada livro recebe seu Elemento, seu Gesto Ético, seu Instrumento Simbólico.
  • — Organização do material para concursos: os nomes reais são ocultados, mas a identidade estética permanece.
  • — Criado o site-matriz da Tetralogia: sem capas, sem locais, sem sinopses. Apenas os gestos.
  • — O projeto agora é blindado: mesmo que fragmentos escapem, nenhum rastro leva diretamente à obra.

🜃 2025 – Selamento e Entrega

  • — Os quatro livros estão prontos.
  • — As datas reais de escrita não coincidem com as simbólicas — mas o processo é verdadeiro.
  • — A narrativa de criação se torna parte da obra.
  • — O silêncio, o grito, a escuta e a unção se tornam quatro modos de existir.

— A Tetralogia não é um conjunto de livros.

— É um campo de forças.